sexta-feira, 11 de julho de 2008

Tempo



Pata pós pata a leve aranha tece sua teia
Brilhante fica a linha quando o sol inventa de bater
E esse vento que vem de lá não sei daonde ta batendo na arvore
enquanto isso as folha pequenas parecem insetos amarrados aos troncos.

A petada da flor no chão é de um tom puxado pra rosa
não, na verdade não é nada puxado, é rosa mesmo
A não ser puxada pelo pé do rapaz que acaba de passar
mas suja não ficou, a beleza resistiu e foi mais forte.

Lá do céu me olha o céu,
de uma pureza que não se alcança
A luminosidade do dia deixa explicita a minha sombra
E o que sobra deve-se apagar.

O vento passa e o meu cabelo levanta
e o que te espanta
não tem nada de anormal
é o vazio mais completo de se saber respeitar.

Pausas!

sábado, 7 de junho de 2008

Devagar!


Temos muito tempo ainda

Uma coisa de cada vez

Sem afobação

Calma!


Esse pão todo na boca de uma vez, não

Isso aí dá é indigestão das feias

Não atropele o tempo

Toma cuidado!

Esfria!


Essa vida é pra se degustada, isso sim

Experimentada aos poucos

Não coma tudo junto assim não que senão entorta a ordem das coisas

E quem é que aguenta?



As coisas precisam de respiração

De uma paciencia daquelas

De tempo suficiente

De pausas

De AR

sábado, 19 de abril de 2008

Saber voar



É engraçado, tudo sempre começa assim, a gente chega no lugar sem conhecer ninguém e acha tudo muito chato. Olhamos para os lados e tudo é vazio e sem graça, acabamos sentindo que os outros lugares de onde viemos eram bem melhores.
E as pessoas então? Ah! Essas nos parecem detestáveis, o nariz é muito grande e a orelha é torta, argh! No início as pessoas são um nojo.
Mas caramba, basta um mês, um mísero aglomerado de uns trinta dias e tudo muda. Aquele Zé mané que sentava do outro lado da sala, aquele do nariz de batata, de repente se transforma naquele amigo inseparável, o que você mais confia, e não é que até o nariz dele se torna mais simpático. E aquela menina freesca, toda encima dos saltos? Que metida que nada, ela é super bacana e até ri engraçado! E é sempre assim, aquilo tudo que era preto no branco dum dia pro outro vai ganhando novas cores, os estranhos se tornam melhores amigos, e no fim fica muito difícil de dizer "tchau"; a gente dá um sorriso forçado, finge que não é nada e é obrigado a deixar pra trás tantas coisas especiais. Não podemos mais conviver tão próximos da antiga realidade, os amigos a gente já vê com uma frequência um tiquinho menor, mas tudo bem..

...Afinal, é engraçado, tudo sempre começa assim, a gente chega no lugar sem conhecer ninguém e...

Mas no fim, acaba todo mundo bem!

domingo, 30 de março de 2008

Coisas que a gente esquece



Dentro de salas fechadas, escondidos entre concretos, ar-condicionados, computadores e toda sorte de tecnologias, as vezes a gente se esquece de quanta beleza há por aí, espalhada por todo esse universo.
A gente se sente tão mal perto de tanta coisa ruim dançando e fazendo a festa, impunidades, friezas e esses sentimentos chatos que algumas vezes estão tão proximos, arraigados aqui dentro. Tudo isso parece tão grande, tão horrível, infinitamente cruel, mas as vezes eu paro pra pensar e lembro que mesmo assim, ainda tem um universo gigante e maravilhoso quase que totalmente intocado, misteriosamente lindo e cheio de novidades. Cada vez descobrem novas estrelas e constelações; e nessas luzes coloridas tão vivas eu percebo o quanto as coisas feias são pequenas, e que ainda rola de a gente virar a mesa nesse pequeninissississímo planetinha. Ainda dá, sim pra tranformar as coisas!
De repente dá pra começar por esses indesejados sentimentos que aparecem ver por outra e levam-nos a falar e fazer indiotices. Quem sabe nos analisando melhor, nos observando mais de perto podemos pelo menos fazer a nossa parte.

terça-feira, 25 de março de 2008

Sentir



Hoje estou com medo, um medo vazio das coisas que não acontecem, um medo estupido de ficar enquanto as coisas vão, de ir enquanto as coisas ficam. Hoje me bateu esse medo bobo do silêncio, das palavras que por um motivo ou outro não foram, não pude ouví-las se pronunciar. Eu tenho um frio na espinha quando imagino a gente tudo quieto nesse turbilhão de barulhos insosos.
Eu estou com medo de me tornar assim, um serzinho mudo de tudo quanto é emoção. Tenho medo de falar demais em matemáticas, em raízes redondas, em teorias da psiquê, em coisas dessas por aí que não sentimos. Me imagino parando de sentir! Argh! Dá até gastura!
Nesse mundo de praticidades, tenho arrepios de pensar nas consequências, me vejo as vezes agindo com excesso de frieza e pouca verdade, como se os sentimentos tivessem saído do meu vocabulário.
As vezes perco as cores das coisas e muitas coisas mudam. Minha sensibilidade acaba afetada. Minha criatividade fica afetada. E aí, nada dá em nada.