sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Sou Eu a Minha Ponte


As moças passam pela ponte distraídas

Os pensamentos são distraídos

As falas também e persistem

Completamente desconexas


Não perceberam que a ponte também tem fim

E de um instante a outro se dão conta

Que não há mais o antigo chão

Se assustam, é claro


São lançadas em um infindável desamparo que lhes toma

Descobrem que os viadutos também se quebram

E não adianta mais se segurar no que sobra

Pois o que sobrou também se quebra


É nesse momento que se toma contato com algo

tão absolutamente próprio

intransfirivel

A VIDA


Nesse momento só resta a elas uma escolha possível

Aceitar o combate cujo inimigo não se conhece

Que não se pode saber previamente:

A incerteza do próximo passo


Não adianta advertir a qualquer um sobre o ocorrido

Não adianta se vingar de quem cerrou a ponte

E quem disse que é ele o culpado, hein?

A ponte já não existe no mesmo lugar

E nenhuma outra existirá


Vemos que quem perde a ponte descobre algo maior

Descobre que a segurança tão antes necessária

não existe e nem existia de fato


Percebe que suas escolhas são só suas e não há ninguém

Os outros são outros e não o que posso ser

São os que fazem a minha vida valer tanto a pena

Mas não são pontes que me conduziram para sempre.


Camila A. de Souza
11/12/2009
21h19

terça-feira, 21 de julho de 2009

“ SONHOS DE MENINA ”


“ A flor com que a menina sonha
está no sonho?
ou na fronha?
Sonho
risonho:
O vento sozinho
no seu carrinho.
De que tamanho
seria o rebanho?
A vizinha
apanhaa sombrinha
de teia de aranha ...
Na lua há um ninho
de passarinho.
A lua com que a menina sonha
é o linho do sonho
ou a lua da fronha? ”

( Cecília Meireles - Jornal de Poesia - 1901/1964 )

sábado, 11 de abril de 2009

Rumo certo


Entre todas as muitas milhares de coisas

Estáticas ou em intenso movimento

Encontra-se uma certa confusão


Parece que a muito a ser observado aqui e lá

Pensamos que não poderemos ver tudo

Porém o que existe não é bem isso


Aí nos damos conta de que olhamos foi para o lado errado

A verdade é que importante mesmo é uma coisa agora

Aquela que apaga as outras coisas em um momento


O que percebo agora, não ontem e não deixo para amanhã

Olho bem fundo e percebo algo além do que olho

Outro olho que me leva a outro espaço


E o que percebo agora é um lugar além daqui e mais bonito

Parece que no fundo a gente já o conhecia bem

Algum lugar além dos sentidos


Onde não temos mais o tempo e nem o mundo; são em poucos momentos em que ocorre que o que estava aqui antes, agora some e junto consigo leva longe a preocupação com as circunstâncias e o que estava lá fora!


E então finalmente percebemos

Por apenas alguns instantes

A Coisa mais importante


O sentimento da alma!!





segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Sentidos


De quem são os nossos olhos?


São tantas imagens que por nós passam


Que nos marcam até sem merecer!





Dificil dizer de quem é o nosso ouvir?


É som e mais som..


e é tanta coisa velha que a gente guarda com carinho!





Coisa boa coisa ruim


E quem é que sabe a diferença?


A gente só percebe quando já foi


Quando já gastamos os nossos sentires sem sentido!

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Tempo



Pata pós pata a leve aranha tece sua teia
Brilhante fica a linha quando o sol inventa de bater
E esse vento que vem de lá não sei daonde ta batendo na arvore
enquanto isso as folha pequenas parecem insetos amarrados aos troncos.

A petada da flor no chão é de um tom puxado pra rosa
não, na verdade não é nada puxado, é rosa mesmo
A não ser puxada pelo pé do rapaz que acaba de passar
mas suja não ficou, a beleza resistiu e foi mais forte.

Lá do céu me olha o céu,
de uma pureza que não se alcança
A luminosidade do dia deixa explicita a minha sombra
E o que sobra deve-se apagar.

O vento passa e o meu cabelo levanta
e o que te espanta
não tem nada de anormal
é o vazio mais completo de se saber respeitar.

Pausas!

sábado, 7 de junho de 2008

Devagar!


Temos muito tempo ainda

Uma coisa de cada vez

Sem afobação

Calma!


Esse pão todo na boca de uma vez, não

Isso aí dá é indigestão das feias

Não atropele o tempo

Toma cuidado!

Esfria!


Essa vida é pra se degustada, isso sim

Experimentada aos poucos

Não coma tudo junto assim não que senão entorta a ordem das coisas

E quem é que aguenta?



As coisas precisam de respiração

De uma paciencia daquelas

De tempo suficiente

De pausas

De AR

sábado, 19 de abril de 2008

Saber voar



É engraçado, tudo sempre começa assim, a gente chega no lugar sem conhecer ninguém e acha tudo muito chato. Olhamos para os lados e tudo é vazio e sem graça, acabamos sentindo que os outros lugares de onde viemos eram bem melhores.
E as pessoas então? Ah! Essas nos parecem detestáveis, o nariz é muito grande e a orelha é torta, argh! No início as pessoas são um nojo.
Mas caramba, basta um mês, um mísero aglomerado de uns trinta dias e tudo muda. Aquele Zé mané que sentava do outro lado da sala, aquele do nariz de batata, de repente se transforma naquele amigo inseparável, o que você mais confia, e não é que até o nariz dele se torna mais simpático. E aquela menina freesca, toda encima dos saltos? Que metida que nada, ela é super bacana e até ri engraçado! E é sempre assim, aquilo tudo que era preto no branco dum dia pro outro vai ganhando novas cores, os estranhos se tornam melhores amigos, e no fim fica muito difícil de dizer "tchau"; a gente dá um sorriso forçado, finge que não é nada e é obrigado a deixar pra trás tantas coisas especiais. Não podemos mais conviver tão próximos da antiga realidade, os amigos a gente já vê com uma frequência um tiquinho menor, mas tudo bem..

...Afinal, é engraçado, tudo sempre começa assim, a gente chega no lugar sem conhecer ninguém e...

Mas no fim, acaba todo mundo bem!