


As moças passam pela ponte distraídasOs pensamentos são distraídos
As falas também e persistem
Completamente desconexas
Não perceberam que a ponte também tem fim
E de um instante a outro se dão conta
Que não há mais o antigo chão
Se assustam, é claro
São lançadas em um infindável desamparo que lhes toma
Descobrem que os viadutos também se quebram
E não adianta mais se segurar no que sobra
Pois o que sobrou também se quebra
É nesse momento que se toma contato com algo
tão absolutamente próprio
intransfirivel
A VIDA
Nesse momento só resta a elas uma escolha possível
Aceitar o combate cujo inimigo não se conhece
Que não se pode saber previamente:
A incerteza do próximo passo
Não adianta advertir a qualquer um sobre o ocorrido
Não adianta se vingar de quem cerrou a ponteE quem disse que é ele o culpado, hein?
A ponte já não existe no mesmo lugar
E nenhuma outra existirá
Vemos que quem perde a ponte descobre algo maior
Descobre que a segurança tão antes necessária
não existe e nem existia de fato
Percebe que suas escolhas são só suas e não há ninguém
Os outros são outros e não o que posso ser
São os que fazem a minha vida valer tanto a pena
Mas não são pontes que me conduziram para sempre.
Camila A. de Souza
11/12/2009
21h19

Um comentário:
Bom dia!
Adoro sempre ler o que você escreve. Mesmo com minha dislexia alternativa a certos tipos de coisas. =)
Esperamos que não deixe outro imenso espaço de tempo para o proximo post.
Naka
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